Vida útil de quatro minutos e até quatro séculos flutuando pelos oceanos. Essa é a média de tempo que usamos um canudo de plástico e a duração que o material leva para se decompor no mar, para onde vão cerca de 10 milhões de toneladas de plástico por ano, sendo que 100 mil toneladas são apenas de canudos, segundo dados do grupo Ocean Conservancy.
Feito geralmente de poliestireno ou polipropileno, o canudo pode ser normalmente reciclado, mas como é muito pequeno e leve, assim como as tampas de garrafa, por exemplo, frequentemente é jogado no lixo. Aparentemente inofensivo, o canudinho virou uma praga ambiental, que assim como outros resíduos, acabam no mar, prejudicando muitos animais.
Esse materiais acabam sendo ingeridos tanto inteiros como fragmentados e até mesmo, como partículas muito pequenas, os microplásticos. Estes podem, até, dependendo da sua quantidade e densidade, obstruir a passagem da luz e interferir no processo da fotossíntese das algas.

Quando ingeridos inteiros, os canudos podem obstruir as vias aéreas ou o tubo digestório e prejudicar as funções vitais dos animais, podendo levá-los a morte. Depois da viralização de um vídeo chocante mostrando o utensílio sendo retirado da narina de uma tartaruga (já são mais de 110 milhões de visualizações), bares e restaurantes engajados em causas socioambientais se sensibilizaram e tomaram a iniciativa de começarem a diminuir esse impacto negativo no meio ambiente.

Em entrevista ao site o Globo, o chefe e proprietário do bar de vegetais “Teva”, Daniel Biron, diz que desde que abriu o
estabelecimento em 2016, nunca teve canudos de plástico, apenas de inox ou papel. “Faz parte do conceito do lugar. A maioria dos nossos clientes tem consciência alimentar e de um mundo mais sustentável, e os canudos entram
aí. As pessoas gostam tanto que acabam levando os canudos de inox para casa”, brinca o empresário.

Outra alternativa sustentável são os canudos de vidro. Antes que alguém tenha medo pelo fato da fragilidade do vidro, é importante destacar que eles são feitos de borossilicato, material resistente a quedas e a altas temperaturas. No Rio de
janeiro, inclusive, já tem uma fábrica, a Mentah! de alimentos e produtos sustentáveis. Seu primeiro cliente foi o Beefit.
O dono da lanchonete, Emerson Goncos, conta que a casa que tem uma proposta de consumo consciente, usa os canudos de vidro para apresentar sua linha de sucos sem glúten, sem lactose e sem conservante para os clientes. Pouco a pouco esses bistrôs, bares, lanchonetes e restaurantes que já tem uma visão de sustentabilidade vão mudando os hábitos dos brasileiros que com uma coisa tão rotineira como tomar um suco no canudo, não fazem ideia do tamanho do estrago e do impacto que esse material traz à natureza. De fato, precisamos reavaliar nossos hábitos, repensar nossas atitudes e sermos nós também os transformadores sociais que tanto queremos ver no mundo.

 

Por: Michelle Monteiro